Brilhantes, capazes, autistas: histórias de sucesso e superação no Dia de Conscientização do Autismo

Sumário do Artigo

Notícias diretas do Site do STJ.
Link da notícia original disponível no final da página.

Se você está usando um rn software da Microsoft para ler esta matéria, saiba que o criador da empresa, Bill Gates, declarou ter uma variação do autismo, conhecida como síndrome de Asperger. Caso aprecie as inovações tecnológicas da Tesla ou da SpaceX, vale lembrar que Elon Musk também revelou ter o transtorno do espectro autista (TEA). Se é fã de cinema, talvez goste dos filmes dirigidos por Tim Burton ou estrelados por Anthony Hopkins – ambos autistas.

Gates, Musk, Burton, Hopkins e mais 70 milhões de indivíduos no mundo – aproximadamente 2 milhões no Brasil, segundo o Conselho Nacional de Saúde – têm autismo ou alguma das suas variações, e grande parte deles leva a vida de modo normal, quando não de maneira extraordinária.

Em 2023, o tema da campanha é "mais informação, menos preconceito". Unindo-se aos esforços para ampliar o debate sobre a questão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai iluminar a sua fachada de azul na noite deste domingo – a exemplo de muitos outros prédios ao redor do mundo.

Luís Ricardo Fulgoni, juiz na cidade de Bela Vista do Paraíso, no norte do Paraná, foi diagnosticado com TEA enquanto estudava para a magistratura, em meio à pandemia da Covid-19.

De origem humilde, Luís Ricardo nasceu na periferia de Volta Redonda (RJ) e estudou em escola pública. Na infância, tinha dificuldade de se relacionar com o "mundo exterior". Foi com a ajuda da irmã mais nova que conseguiu melhorar seu grau de interação com as pessoas e até a aprender tarefas aparentemente simples, como amarrar os cadarços, aos 16 anos.​

rn Apesar das dificuldades, tornou-se servidor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aos 18 anos. No entanto, uma tragédia foi decisiva para mudar sua percepção do mundo: sua irmã foi vítima de feminicídio, e ele sentiu, naquele momento, não apenas a dor da perda, mas também o descaso da burocracia estatal. 

Aquele momento difícil virou força para seguir estudando, levando-o a se tornar oficial de justiça e, depois, a entrar na magistratura. 

Quando estudava para se tornar juiz, a quebra de rotina causada pela pandemia fez Luís Ricardo ter crises que, para ele, estariam associadas a uma possível depressão. Ao fazer uma avaliação neuropsicológica, entretanto, ele recebeu o diagnóstico de TEA.​​​​​​​​​

Segundo ele, suas atividades profissionais são exercidas da mesma forma que por qualquer juiz, mantendo-se as adaptações que são peculiares de cada autista. No seu caso, ele contou que evita manter contatos por telefone, pois isso lhe dá um cansaço fora do comum. Por causa de algumas dificuldades como essa, rejeita qualquer tipo de mistificação referente ao autismo e enfatiza que suas conquistas são fruto de dedicação pessoal.

"As coisas que tenho de bom não são do autismo, são minhas. Ele é parte indissociável de mim, mas ele não me resume. Faço coisas boas porque pessoas fazem coisas boas", afirmou.

Definindo-se como um voluntário da causa do autismo, o ministro Mauro Campbell Marques considera a história do juiz Luís Ricardo Fulgoni emblemática. "Ele é uma pessoa vitoriosa por completo, não por ser juiz, mas pelo fato de ter rompido paradigmas tão difíceis. Todos os pais e familiares que possuem alguém com o transtorno na família querem isso ordinariamente e não conseguem", declarou.


M
auro Campbell é tio de Maria Clara, uma adolescente de 16 anos que transformou a vida de toda a família quando foi diagnosticada com TEA, ainda na infância. De acordo com o ministro, a convivência com a sobrinha passou a influenciar suas atividades na corte, seja por meio de um olhar mais atento ao que acontece na sociedade, seja em pequenos detalhes, como o hábito de utilizar a cor azul em todas as decisões que são publicadas no dia 2 de cada mês – uma referência ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Ao abordar as ações estatais dedicadas às pessoas autistas, o ministro destacou que houve um avanço significativo nos últimos anos, mas ainda faltam políticas direcionadas à população de baixa renda, especialmente nas escolas públicas.

"É necessário que o Estado seja mais cioso com a política pública de aprimoramento dos mediadores. É um direito do autista ter aquele profissional na escola da rede pública, ao seu lado, para que ele consiga se inserir nisso", alertou.​​​​​​​​​

"Nos termos do que foi julgado pela Segunda Seção, os planos de saúde fizeram as correções para que o acesso e a manutenção dos tratamentos fossem facilitados", destacou.

Servidor da Assessoria de Inteligência Artificial do STJ desde janeiro de 2000, Luiz Anísio Vieira Batitucci recebeu o diagnóstico de TEA em 2021, ano em que também descobriu que tinha transtorno do déficit de atenção (TDAH). Estudar e compreender essas caraterísticas permitiram ajustes na sua rotina diária e a melhoria na capacidade de lidar com algumas dificuldades de interação social que ele sempre percebeu. Além disso, Luiz entendeu melhor por que havia desenvolvido, ao longo da vida, um forte interesse por tecnologia.​​​​​​​​​

O hiperfoco citado pelo servidor é uma característica de pessoas autistas que representa um interesse intenso e altamente concentrado em um ou alguns assuntos, podendo durar a vida toda ou mudar com o passar do tempo.

Luiz Anísio destacou, ainda, a necessidade de iniciativas de conscientização para que a população aprenda as melhores formas de interação com autistas, sem julgamentos ou tentativas equivocadas de interpretar comportamentos não verbais diferentes daqueles aos quais todos estão habituados.

"Cada autista é único, em suas dificuldades, seus níveis de suporte e suas habilidades, como todas as pessoas são únicas. É importante entender que qualquer pessoa pode precisar de adaptação para diversas dificuldades temporárias ou permanentes, e a sociedade precisa estar preparada para ter esse olhar e dar esse suporte", concluiu.

Na vida de Mário Goulart Maia, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o tema do autismo bateu à porta com o nascimento do seu filho, há quase sete anos. Após um início de questionamentos e incertezas, o conselheiro e a família superaram vários desafios, mas ainda enxergam na luta contra o preconceito – especialmente aquele velado e silencioso – uma das questões mais sensíveis e importantes para a comunidade autista.

"Surgem com todas essas questões apenas duas possibilidades: vitimizar-se ou encarar e lutar. Eu optei pela segunda e não teria como ser diferente", afirma.​​​​​​​​​

Na opinião de Mário Maia, para contribuir com a superação desses problemas, o Judiciário precisa continuar garantindo direitos já previstos em lei e, quando for necessário, adotar o que define de "postura transgressora", no sentido de romper com pensamentos anacrônicos sobre o assunto.

"Esse tema faz parte da minha vida e, desde o meu primeiro dia no CNJ, luto e dou voz a quem literalmente não a tem. Tenho proferido palestras para divulgar informações e ampliar a conscientização da sociedade em geral e, principalmente, dos atores do sistema de Justiça, a respeito da inclusão, da necessidade de melhor compreensão e de tolerância em aceitar pessoas e grupos diferentes de nós, pois o que nos torna indivíduos é justamente a capacidade de ser único", enfatiza.

Entre as competências da unidade, estão o mapeamento de produtos, serviços e ambientes físicos e virtuais do tribunal que precisam de acessibilidade; o zelo pelo cumprimento da legislação que garante inclusão social e equidade no tratamento das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, e a condução de ações voltadas à promoção de acessibilidade.

Fonte (Artigo Original): http://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/02042023-Brilhantes–capazes–autistas-historias-de-sucesso-e-superacao-no-Dia-de-Conscientizacao-do-Autismo.aspx

Tag Post :

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Artigos Recomendados

Dúvidas?
Contate-nos agora mesmo.

Nossos atendimentos são agendados, mas caso se trate de uma urgência sinta-se a vontade para nos contactar agora mesmo.

Últimas notícias

Agende um atendimento

Você precisa de aconselhamento de um Advogado?
Entre em contato conosco agora.

Nossos Atendimentos são realizados de maneira agendada.

O agendamento pode ser realizado clicando no botão abaixo.

Caso seja urgente ligue para nós.