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A iniciativa, lançada em Genebra, na Suíça, é a primeira cooperação multilateral voltada a questionar a dominância de mercado no setor de commodities.
“O que nós estamos desenvolvendo sob o grupo de trabalho do Brics sobre mercados alimentares é uma iniciativa conjunta envolvendo as autoridades de concorrência, o que faz todo sentido considerando a natureza transfronteiriça do setor para o qual estamos olhando: o de comércio global de grãos”, afirma Diogo Thomson de Andrade, presidente interino do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no vídeo divulgado pelo NeLi.
Segundo Andrey Tsyganov, vice-chefe do Serviço Federal Antimonopólio (FAS), a autoridade antitruste da Rússia, o Brics+ tem “oportunidades e vantagens únicas por reunir os maiores produtores e os maiores consumidores de grãos de diferentes partes do mundo”. Nesse contexto, ele avalia que o estudo conjunto “permitirá analisar toda a cadeia de valor dos grãos — de sementes, fertilizantes e maquinários até o consumidor final”, propondo soluções “equilibradas e mutuamente aceitáveis” que vão além dos mercados nacionais ou regionais e do próprio setor agrícola.
O vice-presidente para o Norte da África da União Pan-Africana de Advogados (PALU), Mohamed Hassanein, ressalta que o Egito é o maior importador de trigo do mundo, enquanto o pão é considerado “uma questão de estabilidade social” no país. “Mas, surpreendentemente, quando vemos vendedores e agricultores no Brasil vendendo suas próprias mercadorias por centavos, enquanto temos consumidores egípcios comprando esses grãos pelo dobro ou triplo, isso levanta uma questão no mercado”, diz Hassanein.
“Pela primeira vez na história, com quatro empresas controlando quase metade dos grãos do mundo, um único estudo conjunto pode mudar as regras do jogo”, concluiu o NeLi.