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No mesmo pedido ao STF, a holding levanta suspeita sobre conluio entre o procurador Anselmo Lopes e o empresário Josmar Verillo para venda da empresa de papel e celulose. A J&F afirma que o “valor teratológico” da multa contida na leniência forçou a venda de ativos. “Justamente para não perder tudo, houve a venda da Eldorado, venda esta que beneficiaria diretamente o empresário Josmar Verillo, que mantinha diálogos com o procurador Anselmo Lopes – coordenador da Lava Jato na Operação Greenfield”, justifica.
Na ação, entretanto, o procurador aponta que não tem nenhuma ligação com o empresário. Lopes diz que foi surpreendido pelas acusações e que buscou no Google quem seria Josmar Verillo. O executivo é um dos fundadores da Amarribo Brasil, uma associação de combate à corrupção, e também atuou como consultor no conselho de administração da Paper Excellence.
O procurador da República alega que não há registro de reunião com o empresário e que a holding elaborou uma falsa narrativa para desacreditá-lo. “Como se não fosse suficiente a escrutinada difamação, a holding J&F, por meio do advogado Francisco de Assis e Silva, ainda afirma falsamente que o Ministério Público Federal teria exigido a venda da empresa Eldorado para a assinatura do acordo de leniência”, afirma no memorando.
Para ele, fica claro na petição da J&F que não era ao Ministério Público Federal que interessava a venda da empresa, mas era à própria J&F que interessava o acordo de leniência “para que pudesse esta vender parte de seus ativos e assim poder fazer frente às repactuações de dívidas com bancos privados”.
Além de acionar judicialmente a J&F, o procurador encaminhou o memorando à Procuradoria-Geral da República para que se avalie possível litigância de má-fé por parte da holding e a possibilidade de rescisão do acordo de colaboração premiada de Francisco de Assis e Silva. O documento ressalta que na cláusula 15, X, de seu acordo de leniência perante o MPF, a holding J&F comprometeu-se a “portar-se com honestidade, lealdade e boa-fé durante o cumprimento dessas obrigações”.
Procurada pelo JOTA, a J&F informou que não vai se manifestar.