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O objetivo da Polícia Federal é confrontar as informações de cada um dos depoentes e impedir que eles compartilhem estratégias de defesa. Mauro Cid, por exemplo, é tido como homem de confiança de Bolsonaro, que não fazia nada sem instrução do ex-presidente. Uma das pessoas que já foram ouvidas, o primeiro-sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva, afirmou que foi a Guarulhos tentar reaver as joias a pedido do tenente Cleiton Henrique Holszchuk, assessor de Mauro Cid.
Outro que prestará depoimento é o coronel Marcelo Costa Câmara, apontado como operador de um gabinete paralelo de segurança e inteligência a serviço de Bolsonaro.
Para agentes da PF, há indícios concretos de que o ex-presidente tenha atuado para ter acesso às joias, que foram detidas no aeroporto de Guarulhos. Bolsonaro, porém, nega qualquer irregularidade. O kit de joias apreendido é avaliado em R$ 16,5 milhões e é composto por colar, anel, relógio e um par de brincos de diamantes. À época, em outubro de 2021, um assessor do então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque tentou entrar com as joias escondidas na mochila.
Há evidências de que, desde a apreensão, o ex-presidente tenha tentado resgatar as joias ao menos três vezes, por meio dos ministérios de Minas e Energia, Economia e Relações Exteriores. Também há relatos de que militares também tenham sido acionados. A última tentativa teria ocorrido em 29 de dezembro do ano passado, quando faltavam dois dias para o término do mandato de presidente.
Logo em seguida, no dia 30, Bolsonaro viajou para os Estados Unidos, onde passou uma temporada de três meses. Quando o caso foi revelado, em 3 de março, o ex-presidente ainda estava em território norte-americano. Ele voltou ao Brasil no último dia 30.
No fim de março, a defesa de Bolsonaro havia entregue à mesma agência da Caixa outro pacote de joias, com abotoaduras, uma caneta, um relógio, além de armas recebidas pelo ex-presidente. Os itens foram avaliadas em R$ 500 mil e entraram no Brasil por uma comitiva do Ministério de Minas e energia, sem que fossem declaradas à Receita Federal, por isso, estão ilegais no país. Já as armas entraram no Brasil em 2019, foram comunicadas à Receita e ao Exército para que fossem registradas.